Celular de Daniel Vorcaro registra 316 interações com Alexandre de Moraes
Levantamento do UOL aponta mensagens, chamadas e registros de proximidade entre o banqueiro do Banco Master e o ministro do STF nos meses anteriores à prisão.
Novos dados recuperados de bancos de dados secundários do iPhone de Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025, revelam que o empresário registrou 316 interações com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no período de dois meses que antecedeu sua prisão.
O material divulgado por um levantamento do UOL , inclui mensagens de texto, fotografias, chamadas e ligações perdidas. Como as conversas haviam sido apagadas por meio da função de mensagens temporárias do aplicativo, analistas precisaram explorar bancos de dados secundários do sistema do aparelho, como o sistema de contatos frequentes e o mecanismo de indexação de palavras do WhatsApp.
Entre as evidências destacadas na apuração, figuram dezenas de imagens de visualização única enviadas por Vorcaro. O banqueiro escrevia os recados no bloco de notas do celular, tirava um print da tela e enviava a imagem para evitar que o texto ficasse gravado diretamente no histórico comum. As mensagens mostravam o banqueiro preocupado com possíveis medidas da Polícia Federal e do Banco Central, chegando a sondar cenários sobre investigações.
As mensagens inéditas recuperadas também detalham a proximidade e o agendamento de encontros entre os dois em Brasília. Em meados de novembro de 2025, os diálogos indicam combinações de viagens e jantares. Em uma das conversas, datada de 14 de novembro, três dias antes da prisão do empresário, Moraes escreveu "Me avise quando pousar", após Vorcaro voar de São Paulo para a capital federal em seu jato particular.
Procurados pela reportagem, nem o gabinete do ministro Alexandre de Moraes nem a defesa de Daniel Vorcaro se manifestaram sobre os novos dados. Anteriormente, o magistrado já havia negado ter trocado mensagens com o banqueiro e afirmado que não era o destinatário das imagens enviadas. Por sua vez, os advogados de Vorcaro questionam a validade das provas, levantando dúvidas sobre a cadeia de custódia do aparelho.




