Fachin anuncia medidas após revelações no caso Banco Master e fala em “especial gravidade” no STF
Presidente da Corte afirma que indícios revelados pela Polícia Federal exigem encaminhamento institucional e diz que providências serão anunciadas nos próximos dias
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que a Corte vive um momento de “especial gravidade” diante das novas revelações relacionadas ao caso Banco Master.
Durante evento em Brasília, Fachin declarou que, após concluir a análise dos fatos e observar os procedimentos internos do Supremo, deverá anunciar “as medidas cabíveis e necessárias” nos próximos dias. Segundo ele, a situação exige “serenidade, responsabilidade e firmeza”.
A manifestação ocorre após a divulgação de informações obtidas pela Polícia Federal a partir do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero. Entre os elementos revelados estão mensagens que apontam contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de informações sobre contratos envolvendo o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do magistrado.
De acordo com reportagens baseadas no material da investigação, teriam ocorrido ao menos seis encontros entre Moraes e Vorcaro entre 2024 e 2025. Também foram revelados detalhes de um contrato milionário entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes. O escritório afirma que os serviços foram efetivamente prestados e que não havia impedimento legal para a contratação.
A crise ganhou novos contornos depois que o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, levou ao debate do tribunal os desdobramentos da investigação. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também questionou aspectos da condução do inquérito, aumentando a tensão institucional em torno do caso.
Em seu discurso, Fachin não citou diretamente Moraes ou Mendonça, mas afirmou que os indícios apresentados precisam receber o devido encaminhamento institucional.
“A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades”, declarou o presidente do STF.
Fachin ressaltou ainda que qualquer providência será tomada “no tempo devido e sem precipitação”, defendendo a preservação da integridade do Supremo e da confiança da sociedade na instituição.
O caso segue em análise e ainda não há definição pública sobre quais medidas serão adotadas pela Presidência do STF.




